quarta-feira, 11 de novembro de 2015
A chuva que caía
Chovia forte e já era tarde da noite. Ela estava cansada de tudo, da forma como agia e de como os outros agiam com ela. Cansou de carregar o mundo nas costas, de colocar um sorrizo no rosto pra cuidar da dor dos outros. Quando tudo dentro dela estava aos pedaços. Chovia forte, as amigas lhe ofereceram carona, mas ela disse que não queria incomodar, nunca quis. Ela sentia que a pergunta feita era apenas por obrigação, por educação. Ninguém se preocupava de verdade se chegaria bem em casa. Todos acreditavam que ela se virava bem. Morava longe e voltava tarde. Pegava o último ônibus, descia e andava pelas ruas desertas e escuras até chegar em sua casa. Ela não se importava muito com o risco que corria todo dia. Mas naquela noite sentiu vontade de que alguém insistisse em levá-la pra casa. Que alguém se preocupasse se ela chegaria bem. Mas ninguém teve essa coragem. Então ela voltou pra casa, sozinha, na chova e na rua escura. Desceu do ônibus e nem olhou pros lados pra atravessar a rua. Sentiu a chova forte e gelada cair sobre suas lágrimas quentes. Percebeu o quanto estava sozinha e só desejou se desintegrar no meio daquelas gotas que caiam.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Esvaziando...
Nunca doeu tanto como agora
Mentira, sempre doeu
é que às vezes esqueço o quanto é forte
É como um pedaço de mim sendo arrancado
Queria poder voltar no tempo
pra tentar entender onde foi que isso começou
Me sinto sendo rasgada, aos poucos
ao vento
De certa forma a culpa é minha
Eu não sei mais como parar
Como sair disso
Me viciei em sentir, em pensar...
Às vezes a dor é tão anestesiante
e em outra vezes é tão insuportável...
Gostaria de me livrar dela
E seguir em frente
Mas não seria capaz de ser eu sem ela
Sinto que sou só isso
Que sem isso, não sou nada
Gostaria de ter uma opção
Gostaria de ser outro alguém
Queria ser aquilo que pensam que eu sou
Mas não sei o que sou, nem eles
E nem como cheguei até aqui
Talvez eu nunca encontre a solução
mas eu preciso de alguma forma diminuir o peso
E essas palavras me ajudam um pouco
E assim vou me esvaziando
me aliviando...
Mentira, sempre doeu
é que às vezes esqueço o quanto é forte
É como um pedaço de mim sendo arrancado
Queria poder voltar no tempo
pra tentar entender onde foi que isso começou
Me sinto sendo rasgada, aos poucos
ao vento
De certa forma a culpa é minha
Eu não sei mais como parar
Como sair disso
Me viciei em sentir, em pensar...
Às vezes a dor é tão anestesiante
e em outra vezes é tão insuportável...
Gostaria de me livrar dela
E seguir em frente
Mas não seria capaz de ser eu sem ela
Sinto que sou só isso
Que sem isso, não sou nada
Gostaria de ter uma opção
Gostaria de ser outro alguém
Queria ser aquilo que pensam que eu sou
Mas não sei o que sou, nem eles
E nem como cheguei até aqui
Talvez eu nunca encontre a solução
mas eu preciso de alguma forma diminuir o peso
E essas palavras me ajudam um pouco
E assim vou me esvaziando
me aliviando...
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Se essa rua fosse minha...
Era uma noite nublada. Decidi ficar ali, no canto escuro de um lugar desconhecido.
Poderia sair lá fora e tentar desvendar os encantos de uma cidade maravilhosa. Mas preferi ficar ali, no indesvendável mundo das minhas ideias.
Ele chegou e eu nem percebi. Quando voltei ao mundo real ele me perguntou se podia tocar alguma música pra mim. Eu respondi que sim. Depois de alguns minutos ele tocou e cantou.
Fiquei surpreendida por ser aquela música. Nem me lembro da última vez que ouvi aquela canção. Lembrei da minha infância,. Lembrei da minha mãe cantando esse lamento triste. Lembrei de quanto eu gostava de ouvir o som da voz dela cantando. Lembrei de seus olhos tristes e de suas mãos amaciando meus cabelos. Senti uma saudade que nem sabia que existia em mim.
Chorei como uma criança perdida, como eu acho que sempre fui. Mas chorei principalmente por ter me dado conta da beleza dessa música e do quanto ela traduz a tristeza que minha sempre carregou, e que agora também é a minha.
Agradeci aquele rapaz por me fazer lembrar de tudo isso, da conexão com minha mãe da conexão comigo mesma. Quando criança eu imaginava como seria um amor assim. Imaginava como era morar em um bosque chamado solidão. Eu cresci e continuei achando bonito essas coisas.
Essas memórias são o melhor de mim, e fico feliz de carregar tantas coisas aqui comigo.
Poderia sair lá fora e tentar desvendar os encantos de uma cidade maravilhosa. Mas preferi ficar ali, no indesvendável mundo das minhas ideias.
Ele chegou e eu nem percebi. Quando voltei ao mundo real ele me perguntou se podia tocar alguma música pra mim. Eu respondi que sim. Depois de alguns minutos ele tocou e cantou.
Fiquei surpreendida por ser aquela música. Nem me lembro da última vez que ouvi aquela canção. Lembrei da minha infância,. Lembrei da minha mãe cantando esse lamento triste. Lembrei de quanto eu gostava de ouvir o som da voz dela cantando. Lembrei de seus olhos tristes e de suas mãos amaciando meus cabelos. Senti uma saudade que nem sabia que existia em mim.
Chorei como uma criança perdida, como eu acho que sempre fui. Mas chorei principalmente por ter me dado conta da beleza dessa música e do quanto ela traduz a tristeza que minha sempre carregou, e que agora também é a minha.
Agradeci aquele rapaz por me fazer lembrar de tudo isso, da conexão com minha mãe da conexão comigo mesma. Quando criança eu imaginava como seria um amor assim. Imaginava como era morar em um bosque chamado solidão. Eu cresci e continuei achando bonito essas coisas.
Essas memórias são o melhor de mim, e fico feliz de carregar tantas coisas aqui comigo.
"Se esta rua se esta rua fosse minha
eu mandava eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes
só prá ver só prá ver meu bem passar
Nesta rua nesta rua tem um bosque
que se chama que se chama Solidão
dentro dele dentro dele mora um anjo
que roubou que roubou meu coração
Se eu roubei se eu roubei teu coração
tu roubaste tu roubaste o meu também
se eu roubei se eu roubei teu coração
é porque é porque te quero bem"
sábado, 29 de agosto de 2015
Vazo remendado
Com o coração em pedacinhos ela só tinha coragem de esvaziar a dor aos poucos. Pelos olhos.
Os mesmos olhos que antes viam cores improváveis, agora são apenas dos botões negros.
E ele, apareceu do nada. Sem avisar. Apareceu em um noite tão negra que não se podia nem ver a luz da lua ou das estrelas. Mas ele foi capaz de olhar nos olhos dela e no fundo daquela escuridão pôde ver que ainda existia um brilho lá dentro.
Se olharam e conversaram como velhos conhecidos.
Tudo que ela queria naquela noite era não ficar sozinha. Conseguiu.
Ele trouxe palavras, carinhos e risadas.
Para ela ainda era difícil imaginar o quanto a presença daquela rapaz era agradável.
Era uma oportunidade de recomeçar.
Mas ela sentia que poderia ser só aquela noite, naquela boa companhia que seu coração encontraria algum conforto. Aproveitou cada minuto, como se fossem os últimos. Talvez tenham sido. Ela sabia. Ela estava acostumada a ver todos partirem, às vezes sem despedidas. E cada um que partia levava pedaços seu.
Ele, com aquele sorriso bondoso se propôs a ficar, e juntar cada pedaço solto e colar.
Ela ainda não sabia o que fazer com os que ficavam. Afinal, ninguém nunca ficou.
Ele teve coragem de lhe animar os dias. De ligar só para dar “Bom dia”.
Tanta gentileza e carinho que ela não sabia que existia.
Nunca se imaginou dividindo um pôr-do-sol com alguém.
Mas de uma coisa ela sabia, ele também partiria. Tentou não se apegar, pois era preciso criar uma barreira e se proteger. Mas foi inevitável.
Ela se entregou como se entregava a todos os sentimentos. Alguém havia lhe dito que na vida tudo é escolha. Ela escolheu viver aqueles dias com toda a intensidade que se vive os dias de calor. Mesmo sabendo que ele não poderia ficar.
Ela sabe que da mesma forma repentina que ele apareceu também poderia ir embora.
Ela queria que ele ficasse, mas a escolha não era só sua, mais um vez.
Percebeu que ele começava a arrumar as malas.
Mais uma vez ela se despedaçava.
Mas agora, com a certeza de que novamente colaria os pedaços e seguiria assim, como vazo remendado.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Parecia que era minha aquela solidão
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| Foto tirada o blog: polianafreitas.blogspot.com.br |
Havia uma menina sentada no banco em frente ao rio.
Ela estava sozinha.
Pensei que talvez estivesse esperando por alguém.
Mas não dava sinais de ansiedade, não olhava para trás e nem para o celular.
Não sei quanto tempo estava lá, mas parecia não se importar com a horas.
Não sei quanto tempo estava lá, mas parecia não se importar com a horas.
Ela tinha olhos profundos como o rio.
Talvez ela estivesse concentrada nas lembranças afundadas.
Talvez ela soubesse que o rio leva e nunca trás de volta as mesmas águas.
Talvez ela estivesse concentrada nas lembranças afundadas.
Talvez ela soubesse que o rio leva e nunca trás de volta as mesmas águas.
Ela parecia não se importar com os que passavam, e eles se importavam muito menos.
Passei horas ali, observando. Fiquei ansiosa em saber se alguém viria. Mas ninguém apareceu. Talvez ela já soubesse disso. Talvez por isso não tivesse pressa.
Preferiu a solidão do rio para se abrigar.
Tive vontade de correr até ela e lhe dar um abraço.
Quem sabe era o que ela esperava de alguém.
Talvez ela soubesse que o encanto do rio é a saudade das águas que nunca voltam.
Deixei a menina ali, na beira do rio, mas ela nunca me deixou.
“Parecia que era minha aquela solidão”.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Adeus você
![]() |
| Foto retirada do site: http://heartlove.zip.net/ |
Naquela noite que nos encontramos eu queria ter dito tantas coisas. Queria ter te abraçado e beijado. Gostaria de ter ficado ali nos braços, onde sempre foi meu lugar favorito. O lugar onde eu gostaria de pertencer. Mas nós sabemos que não nos pertencemos.
Pra você era apenas uma conversa rotineira, mas para mim era nossa despedida.
Não é que eu não te ame mais, é justamente por ainda te amar que estou partindo. Estou te deixando livre. Você fez sua escolha e eu precisei fazer a minha. É como você sempre diz, “a vida é complicada”.
Te esperei como um cachorro que espera o dono sem saber se ele vai voltar. Você nunca voltou, e eu descobri que sou um cachorro sem dono.
Não sei se o que vivemos foi realmente amor. Acho que esse sentimento não é desse mundo e não pode ser nomeado ou moldado.
Quando fecho os olhos ainda te sinto aqui. Ando nas ruas e ainda vejo tua sombra. Parte de você ainda continua aqui. Mas grande parte de mim você levou. Estou aos pedaços, mas ainda são pedaços meus, vivos.
Aquilo não foi uma despedida. Eu ainda tenho uma pequena esperança de te reencontrar. Talvez pelas ruas, pelos bares, pelas praças...Talvez, talvez, talvez…
Talvez em lugar nenhum.
Eu cansei de te procurar, nunca te encontrei de verdade.
Você nunca tentou me encontrar. Mas gostaria que você percebesse que arranquei pedaços meus pra tentar tapar os teus buracos. Estou em carne viva.
Não estou desistindo de nós. Mas do que ninguém eu tentei, mas estive sozinha nessa tentativa. Aprendi a perder. Estou te perdendo para me encontrar.
Decidi ir atrás dos pedaços que me falta para ser inteira novamente.
Eu sei que nunca estarei inteira totalmente, pois um pedaço grande meu ficou com você.
Mas ainda existem buracos que eu preciso preencher.
Adeus você.
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